Meu relógio de pulso está com a pulseira gasta, após eu troca-lá várias vezes. O engraçado é que o ponteiro continua andando, como se não sofresse desgaste ou alteração igual acontece com as coisas ao seu redor. O ponteiro, ele simplesmente não para. As vezes chega ser irritante o seu barulho, que está ali só para nos lembrar que o tempo está passando, muito tempo vivido, mas muito mais perdido. Parece que a nossa vida inteira durou apenas alguns instantes, algumas lembranças, alguns sorrisos e amigos. O futuro é algo estranho, as vezes nos aflige por parecer algo tão distante e obscuro, mas em alguns momentos parece estar tão perto que quase conseguimos enxerga-lo. A morte olha para o relógio com olhar sorridente, quase que sarcástico, pois sabe que é questão de algumas voltas no ponteiro para nos encontrarmos. Não tem como segurá-lo, ele escorre entre os nossos dedos de forma suave, deixando apenas alguns momentos, algumas migalhas, que guardamos para podermos relembrar e matar a saudade. E essa saudade é um sentimento difícil de explicar, pois vive grudada ao tempo, ele vai correndo e nos distanciando de pessoas e até de nós mesmos, deixando uma brecha entre nós e aquilo que um dia nós tínhamos ou fomos. A verdade dura é que a vida é curta como uma vela, e como nós, com o passar do tempo, ela vai derretendo, adquirindo formas diferentes, se esgotando, mas nunca deixando de ser ela mesma em sua essência, até que um dia simplesmente o combustível acaba e chega ao seu fim. As lembranças que o tempo nos deixa são responsáveis pelo que somos, estão ali para nos dizer que vivemos e que sofremos, mas que a vida esteve ali, que você esteve ali e que você pode sorrir.

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